Vocabulário botânico

Glossário

65 termos que aparecem nas fichas do acervo, explicados com o exemplo de uma planta concreta sempre que possível.

65 verbetes

Ácaro-rajado
Pequeno aracnídeo que se instala no verso das folhas, suga a seiva e produz um pontilhado claro na face superior, além de teias finíssimas. É favorecido por ar seco e parado, e por isso aparece com frequência em ambientes climatizados. Não é um inseto e não responde a todos os inseticidas.Veja Alocásia-orelha-de-elefante
Adubo de liberação lenta
Fertilizante granulado revestido, que dissolve gradualmente a cada rega e libera nutrientes ao longo de meses. Reduz o risco de queima por excesso de sais e é prático para plantas de crescimento lento.Veja Cuidados básicos
Aráceas
Família botânica Araceae, que reúne boa parte das folhagens de interior — jiboia, costela-de-adão, filodendros, antúrios, lírio-da-paz, comigo-ninguém-pode, caládios e alocásias. Caracteriza-se pela inflorescência formada por espata e espiga e, na maioria dos gêneros cultivados, pela presença de cristais de oxalato de cálcio.Veja Segurança para pets e crianças
Bráctea
Folha modificada, muitas vezes colorida, associada a uma inflorescência. Frequentemente é confundida com pétala: nas guzmânias e na coroa-de-cristo, o que chama atenção são brácteas, e as flores verdadeiras são estruturas pequenas no meio delas.Veja Guzmânia
Caudex
Base de caule intumescida que armazena água e reservas, típica de plantas de ambientes com estação seca marcada. Deve permanecer acima do nível do substrato — enterrá-la provoca apodrecimento.Veja Pata-de-elefante
Cladódio
Segmento de caule achatado que desempenha a função de folha, realizando a fotossíntese. É o que parece "folha" na flor-de-maio e em outros cactos epífitos.Veja Flor-de-maio
Cochonilha
Grupo de insetos sugadores que se fixam em axilas de folhas, nós e caules. A forma farinhenta aparece como pequenos aglomerados brancos e algodoados; a forma de escama parece uma crosta marrom aderida ao tecido. Ambas são favorecidas por pouca ventilação.Veja Jiboia
Cordiforme
Em forma de coração, com a base abaulada em dois lóbulos. Descreve a folha da jiboia e do filodendro-coração.Veja Filodendro-coração
Coriácea
Folha de consistência firme, espessa e resistente, semelhante a couro. Folhas coriáceas perdem menos água e toleram melhor ar seco do que folhas membranáceas.
Cutícula
Camada cerosa que recobre a epiderme da folha e limita a perda de água por evaporação. Folhas de cutícula espessa, como as das suculentas, resistem a ar seco; folhas de cutícula fina, como as das samambaias, não.Veja Rega
Dioica
Espécie em que flores masculinas e femininas ocorrem em indivíduos separados. A frutificação exige, portanto, uma planta de cada sexo — motivo pelo qual algumas palmeiras nunca frutificam em cultivo doméstico.Veja Palmeira-ráfia
Dormência
Período de repouso em que a planta interrompe o crescimento e pode descartar toda a parte aérea, sobrevivendo como tubérculo, rizoma ou bulbo. É um ciclo natural, não uma doença — e a rega mantida durante a dormência é uma das principais causas de morte de caládios e alocásias.Veja Caládio
Endêmica
Espécie cuja distribuição natural está restrita a uma única região geográfica. A palmeira-kentia é endêmica de uma ilha de 14 quilômetros quadrados no mar da Tasmânia.Veja Palmeira-kentia
Entrenó
Trecho de caule entre dois nós. Entrenós longos e esticados indicam estiolamento por falta de luz; entrenós curtos indicam crescimento em boa luminosidade.Veja Iluminação
Epífita
Planta que vive sobre outra planta, geralmente em troncos de árvores, sem retirar nutrientes dela — apenas usando-a como suporte. Orquídeas, bromélias, chifre-de-veado e rhipsalis são epífitas, e por isso precisam de substrato grosseiro e aerado, nunca terra compactada.Veja Substratos
Espata
Bráctea grande que envolve a espiga nas aráceas. É a parte branca do lírio-da-paz e a parte vermelha lustrosa do antúrio — o que a maioria das pessoas chama de flor.Veja Lírio-da-paz
Espiga
Também chamada espádice. Eixo carnudo onde se inserem as flores verdadeiras, minúsculas, das aráceas. É a estrutura central envolvida pela espata.
Esporângio
Estrutura que produz e contém os esporos das samambaias. Aparece no verso das frondes como pontos, faixas ou manchas felpudas de cor marrom ou alaranjada, organizados em padrão regular — e é constantemente confundido com praga ou doença.Veja Samambaia-americana
Esporo
Célula reprodutiva das samambaias e de outras plantas sem sementes. Samambaias não produzem flores, frutos nem sementes: reproduzem-se por esporos.
Estaquia
Método de propagação em que um fragmento de haste, folha ou raiz é induzido a formar uma planta nova. É a técnica mais usada no cultivo doméstico e funciona bem na maioria das folhagens do acervo.Veja Cuidados básicos
Estiolamento
Alongamento anormal de caules e pecíolos em resposta à falta de luz, com folhas menores e mais espaçadas. O tecido já estiolado não se reverte: corrige-se a posição e, se necessário, poda-se a parte deformada.Veja Iluminação
Estolão
Haste que cresce rente ao substrato ou no ar e forma uma planta nova na extremidade. As mudas penduradas do clorofito e as pontas enraizantes da samambaia-americana surgem de estolões.Veja Clorofito
Estômato
Poro microscópico na superfície da folha que regula a troca de gases e a saída de vapor de água. Produtos de brilho foliar e camadas de poeira obstruem os estômatos, e é por isso que a limpeza deve ser feita apenas com pano úmido.
Fenestração
Formação natural de perfurações na lâmina da folha, característica das monsteras adultas. A hipótese mais aceita é que os vãos deixem a luz alcançar as folhas inferiores e reduzam o arrasto do vento e da chuva.Veja Costela-de-adão
Folíolo
Cada uma das divisões de uma folha composta. O que parece um conjunto de folhinhas na zamioculca e nas palmeiras é, botanicamente, uma única folha dividida em folíolos.Veja Zamioculca
Fotoperíodo
Duração relativa do dia e da noite. Algumas espécies só formam botões florais quando recebem noites longas e ininterruptas — motivo pelo qual luz artificial acesa à noite pode impedir a floração da flor-de-maio e do kalanchoe.Veja Flor-de-maio
Fronde
Nome dado à folha das samambaias. Pode ser inteira, como no asplênio, finamente dividida, como na avenca, ou bifurcada, como no chifre-de-veado.Veja Samambaias
Glicosídeo cardíaco
Classe de compostos que interferem no ritmo cardíaco. Estão presentes no gênero Kalanchoe, e é o que torna a intoxicação dessa planta mais séria do que a simples irritação causada pelos oxalatos das aráceas.Veja Kalanchoe
Gutação
Eliminação de gotas de água pelas bordas ou pela ponta da folha, quando a planta absorve mais água do que consegue transpirar. É fisiológico e comum após rega abundante em ambiente úmido.Veja Costela-de-adão
Hemiepífita
Planta que passa parte da vida como epífita e parte enraizada no solo. A costela-de-adão germina no chão da floresta, sobe pelo tronco de uma árvore e mantém raízes nos dois ambientes.
Inflorescência
Conjunto organizado de flores em um mesmo eixo, com arranjo característico de cada grupo botânico — espiga, umbela, panícula, capítulo.
Keiki
Termo de origem havaiana usado entre orquidófilos para designar o broto que surge na haste floral ou na base de uma orquídea. Pode ser separado quando desenvolve raízes próprias de alguns centímetros.Veja Orquídea-borboleta
Látex
Seiva leitosa, frequentemente branca, presente em famílias como Moraceae e Euphorbiaceae. É irritante para pele e mucosas em grau variável, e o contato com os olhos exige lavagem imediata e avaliação médica.Veja Coroa-de-cristo
Licorina
Alcaloide característico da família Amaryllidaceae, concentrado em bulbos e rizomas, que provoca vômito, diarreia e, em ingestão significativa, efeitos neurológicos. Está presente na clívia.Veja Clívia
Lignificar
Tornar-se lenhoso, com deposição de lignina nos tecidos do caule. Plantas que lignificam — como a jade, a cheflera e a figueira-lira — ganham estrutura firme e não podem mais ser propagadas por estaca simples com a mesma facilidade.
Mergulhia de ar
Técnica de propagação em que um trecho do caule é envolvido com esfagno úmido e plástico para formar raízes antes de ser cortado. Tem taxa de sucesso maior do que a estaquia em espécies de caule lignificado.Veja Seringueira-de-vaso
Metabolismo ácido crassuláceo
Também chamado CAM, do inglês crassulacean acid metabolism. Estratégia em que a planta abre os estômatos à noite para captar gás carbônico, reduzindo a perda de água durante o dia. É usada por cactos, suculentas e pela espada-de-são-jorge.Veja Espada-de-são-jorge
Nictinastia
Movimento cíclico de folhas em resposta ao anoitecer e ao amanhecer, produzido por células especializadas na base do pecíolo. É o comportamento que rendeu às marantáceas o nome popular de plantas-da-oração.Veja Maranta-tricolor
Ponto do caule de onde partem folhas, gemas e raízes. Toda estaca precisa conter ao menos um nó: é dele que brotam as raízes e o novo crescimento.
Oídio
Doença fúngica que se manifesta como manchas brancas pulverulentas sobre a folha. É favorecida por umidade alta combinada com ar parado — condição comum em begônias e suculentas cultivadas sem ventilação.Veja Begônia-rex
Oxalato de cálcio
Cristais presentes em muitas aráceas. Na forma insolúvel, agem mecanicamente: perfuram a mucosa da boca e da garganta, causando dor imediata, salivação e edema. É o mecanismo de toxicidade mais comum entre as plantas de interior.Veja Segurança para pets e crianças
Palmada
Folha dividida em segmentos que partem de um ponto comum, como os dedos de uma mão aberta. A folha da palmeira-ráfia é palmada; a da areca é pinada.
Pecíolo
Haste que liga a lâmina da folha ao caule. Pecíolos alongados e moles indicam luz insuficiente; é também no pecíolo que ficam as células responsáveis pelo movimento noturno das marantáceas.
Peltada
Folha cujo pecíolo se insere no centro da lâmina, e não na borda, produzindo o efeito de um pequeno escudo ou disco. É o caso da planta-da-moeda-chinesa.Veja Planta-da-moeda-chinesa
Perlita
Material mineral de origem vulcânica, expandido por aquecimento, de aspecto branco e leve. Adicionado ao substrato, cria espaços de ar que melhoram a drenagem e a oxigenação das raízes sem retê-la em excesso.Veja Substratos
Pinada
Folha composta cujos folíolos se distribuem ao longo de um eixo central, como as barbas de uma pena. É o padrão das folhas da areca, da kentia e da palmeira-de-salão.
Pruína
Camada cerosa e esbranquiçada que recobre folhas de algumas suculentas, refletindo parte da radiação e reduzindo a perda de água. Sai ao toque e com a água da rega, e não se regenera na folha afetada.Veja Echeveria
Rizoma
Caule subterrâneo ou rasteiro que armazena reservas e emite folhas e raízes. É por rizomas que se dividem marantas, samambaias, zamioculcas e espadas-de-são-jorge.
Roseta
Arranjo de folhas dispostas em círculos concêntricos a partir de um ponto central curto. Em muitas rosetas, esse centro é o único ponto de crescimento da planta — e água empoçada nele apodrece a planta inteira.Veja Samambaia-ninho-de-pássaro
Rupícola
Planta que cresce sobre rochas, aproveitando fendas com matéria orgânica acumulada.
Sagitada
Folha em forma de ponta de flecha, com dois lóbulos voltados para trás na base. Descreve a folha do singônio e da alocásia.
Saponina
Composto de sabor amargo que forma espuma em água e irrita o trato digestivo. Está presente nas dracenas, inclusive na espada-de-são-jorge, e responde pelo vômito e pela diarreia relatados em casos de ingestão.Veja Pau-d’água
Senescência
Envelhecimento natural e programado de um órgão da planta. Uma ou duas folhas velhas amarelando na base, de tempo em tempo, é senescência — e não sintoma de problema.
Serrapilheira
Camada de folhas, galhos e matéria orgânica em decomposição sobre o solo da floresta. É o modelo que se busca imitar nos substratos para folhagens tropicais: rico, leve e muito aerado.Veja Substratos
Sicônio
Estrutura em forma de figo, característica do gênero Ficus, que abriga as flores em seu interior fechado. A polinização depende de vespas específicas, ausentes em ambiente doméstico — razão pela qual figueiras de vaso não florescem.Veja Figueira-lira
Sub-bosque
Estrato inferior de uma floresta, sob a sombra do dossel, com luz filtrada e umidade alta. É o habitat natural da maioria das folhagens de interior, e a referência para entender por que elas não toleram sol direto.Veja Iluminação
Subespontânea
Espécie introduzida que passa a se reproduzir sozinha fora de cultivo, sem necessariamente causar dano ao ecossistema. Quando passa a competir com a vegetação nativa e a dominar ambientes, é considerada invasora.Veja Lambari-roxo
Substrato
Meio em que as raízes se desenvolvem dentro do vaso. Não é sinônimo de terra de jardim: um substrato para vaso precisa reter umidade e, ao mesmo tempo, manter espaços de ar, o que quase sempre exige mistura de componentes.Veja Substratos
Suculência
Capacidade de armazenar água em folhas, caules ou raízes. Não é um parentesco botânico, e sim uma estratégia que apareceu de forma independente em famílias distintas — o que explica por que espadas-de-são-jorge, babosas e cactos são todos suculentos sem serem parentes próximos.Veja Suculentas
Tanque
Reservatório natural de água formado pela base sobreposta das folhas de algumas bromélias. É por ali que a planta absorve boa parte da água e dos nutrientes — e a água precisa ser renovada para não estagnar.Veja Guzmânia
Tubérculo
Órgão subterrâneo espessado que armazena reservas e permite à planta atravessar a dormência. Caládios e alocásias crescem a partir de tubérculos, e a rega mantida durante o repouso é o que os apodrece.Veja Caládio
Umbela
Inflorescência em que todas as flores partem de um mesmo ponto, em hastes de comprimento semelhante, formando um conjunto arredondado ou achatado. É o arranjo das flores da clívia e da flor-de-cera.Veja Flor-de-cera
Umidade relativa
Proporção de vapor de água presente no ar em relação ao máximo que ele poderia conter naquela temperatura. É o fator que decide o sucesso com samambaias e marantáceas, e o que o ar-condicionado reduz de forma mais agressiva.Veja Cuidados básicos
Variegação
Presença de áreas sem clorofila na folha, em branco, creme, amarelo ou rosa. O tecido variegado não realiza fotossíntese, e por isso plantas variegadas exigem mais luz e crescem mais devagar do que suas versões verdes. Em luz insuficiente, revertem ao verde.Veja Iluminação
Vermiculita
Mineral laminado expandido por aquecimento, de cor dourada a acinzentada. Ao contrário da perlita, retém água e nutrientes, e por isso é usada quando se quer aumentar a retenção do substrato sem compactá-lo.Veja Substratos