Plantas com flores

Clívia

Clivia miniata (Lindl.) Regel

Também chamada de Lírio-do-natal, Clívia-laranja, Kaffir lily.

Umbelas de flores laranja sobre folhagem em fita, uma das poucas floríferas de sombra — e tóxica em todas as partes.

Luz média Espaçada Médio Tóxica

Ilustração botânica de uma clívia em vaso de terracota, com folhas em fita dispostas em leque e umbela de flores laranja.
  • FamíliaAmaryllidaceae
  • OrigemNativa da África do Sul, nas províncias de KwaZulu-Natal, Mpumalanga e Cabo Oriental, em sub-bosque de floresta úmida e encostas sombreadas — ao contrário da maioria das plantas bulbosas ornamentais, é uma espécie de sombra.
  • PorteDe 40 a 60 centímetros de altura, com touceira que se alarga até 60 centímetros. Folhas de 30 a 60 centímetros.
  • CrescimentoLento. Poucas folhas novas por ano e adensamento gradual da touceira ao longo de anos.
  • DificuldadeModerada
  • AmbientesVaranda coberta, Sala de estar, Corredor e hall

Descrição

A clívia forma um leque de folhas largas, em fita, coriáceas e dispostas em duas fileiras opostas, de onde emerge uma haste robusta terminada em uma umbela com doze a vinte flores tubulares, quase sempre laranja com garganta amarela. Há seleções amarelas e creme, mais raras e caras.

É notável entre as plantas bulbosas ornamentais por ser de sombra: quase todas as amarilidáceas de jardim exigem sol pleno, mas a clívia cresce naturalmente no sub-bosque e queima sob incidência direta. Isso a torna uma das pouquíssimas opções de floração vistosa para ambientes internos com luz média.

A planta cresce a partir de um rizoma com raízes carnudas e se torna mais florífera com os anos, à medida que a touceira adensa. Exemplares antigos, com muitos leques, produzem várias hastes florais simultâneas. É planta de longevidade notável — passa décadas no mesmo local.

Porte
De 40 a 60 centímetros de altura, com touceira que se alarga até 60 centímetros. Folhas de 30 a 60 centímetros.
Ritmo de crescimento
Lento. Poucas folhas novas por ano e adensamento gradual da touceira ao longo de anos.

Iluminação

Luz indireta média

Luz indireta média, filtrada, sem sol direto — que produz manchas amareladas permanentes nas folhas coriáceas. Tolera luz relativamente baixa mantendo a folhagem, mas a floração exige claridade constante. Varandas cobertas e sombreadas e janelas voltadas para o sul são posições adequadas.

Como avaliar a luz do seu ambiente →

Rega

Rega espaçada

Deixe a metade superior do substrato secar antes de regar, molhando até drenar. As raízes são carnudas e armazenam água, o que significa tolerância a espera e intolerância a encharcamento. Um ponto decisivo: no fim do outono e no inverno, a planta precisa de um repouso seco e fresco de seis a dez semanas, com rega mínima — é esse período de restrição que dispara a formação da haste floral. Sem ele, a clívia não floresce.

Não existe intervalo fixo

A necessidade de água muda com a temperatura, a umidade do ar, a ventilação, o material e o tamanho do vaso, a composição do substrato e a estação. A mesma planta pode pedir água a cada poucos dias no verão e passar semanas sem precisar no inverno. Verifique o substrato antes de cada rega, em vez de seguir um calendário. Ver o guia de rega →

Umidade e temperatura

Umidade do ar
Adapta-se a umidade média sem exigências especiais. Mais tolerante a ar seco do que as espécies tropicais do acervo.
Temperatura
Faixa de 15 °C a 27 °C no crescimento, com repouso invernal ideal entre 10 °C e 15 °C. É uma das poucas espécies do acervo que se beneficia do frio moderado do inverno das regiões Sul e Sudeste.

Substrato e adubação

Substrato
Substrato drenante e rico, com casca de pínus, fibra de coco e perlita. As raízes carnudas ocupam muito volume e não toleram compactação.
Adubação
Fertilizante equilibrado diluído a cada quatro ou seis semanas na primavera e no verão, com formulação de fósforo mais alto no fim do verão. Suspenda durante o repouso invernal.

Como montar substratos por tipo de planta →

Poda, replantio e propagação

Poda
Corte a haste floral na base após a floração, a menos que se deseje colher sementes — a formação de frutos consome energia e reduz a floração seguinte. Remova folhas externas amareladas rente à base.
Replantio
A cada três ou quatro anos, no máximo. A clívia floresce melhor apertada e reage ao transplante com um ou dois anos sem florescer. Quando estiver bem, não mexa.
Propagação
Por divisão da touceira após a floração, separando leques com raízes próprias — método que preserva a cultivar e produz floração em um ou dois anos. Por sementes, a germinação é simples mas a primeira floração leva de quatro a seis anos.

Floração

Do fim do inverno ao início da primavera, tipicamente entre agosto e outubro, com a umbela permanecendo vistosa por três a quatro semanas. A floração depende do repouso seco e fresco do inverno e tende a ser mais generosa em plantas antigas e apertadas no vaso.

Problemas comuns

  • Nunca floresce

    Ausência do repouso seco e fresco do inverno é a causa mais frequente, seguida por replantio recente e vaso grande demais. Reduza a rega de junho a agosto e mantenha a planta em local fresco.

  • Manchas amareladas irreversíveis nas folhas

    Queimadura por sol direto. Afaste imediatamente da incidência.

  • Base do leque mole e com odor

    Apodrecimento por excesso de água, especialmente se houve rega normal durante o repouso invernal.

  • Haste floral curta, com flores presas entre as folhas

    Temperatura alta durante a formação da haste, ou luz insuficiente. Um repouso mais fresco corrige na temporada seguinte.

Toxicidade

Toxicidade relatada em fonte Há registro de toxicidade em pelo menos uma das obras de referência que consultamos, para pessoas, para animais ou para ambos.

Para pessoas

Contém licorina e outros alcaloides característicos da família Amaryllidaceae, em concentração maior nas partes subterrâneas. A ingestão provoca náusea, vômito e diarreia; em quantidade significativa, há relato de efeitos neurológicos e cardiovasculares. A Royal Horticultural Society classifica o gênero entre as plantas de ingestão perigosa.

Para animais

A ASPCA registra Clivia miniata como tóxica para cães e gatos, atribuindo o efeito à licorina, com salivação, vômito, diarreia e — em ingestão de grande quantidade, especialmente do rizoma — convulsões e queda de pressão entre os sinais descritos. É uma toxicidade sistêmica, e não apenas irritativa, o que a torna mais séria do que a das aráceas.

Avaliação baseada em: ASPCA — American Society for the Prevention of Cruelty to Animals; Pet Poison Helpline (Estados Unidos); Royal Horticultural Society (Reino Unido).

Em caso de suspeita de ingestão

Procure imediatamente um veterinário, no caso de animais, ou um serviço médico, no caso de pessoas. No Brasil, o Disque-Intoxicação do Ministério da Saúde atende pelo 0800 722 6001. Leve uma amostra da planta e informe o nome científico. Guia de segurança →

Cuidados importantes

  • A toxicidade é sistêmica e concentrada no rizoma. Em casas com cães que cavam vasos, escolha posição elevada ou reavalie a espécie.
  • Respeite o repouso invernal. Sem ele, a planta permanece verde e nunca floresce.
  • Não replante sem necessidade: a clívia reage parando de florescer por uma ou duas temporadas.
  • Use luvas ao dividir a touceira e lave as mãos em seguida.

Fontes

Obras consultadas na redação e na revisão desta ficha. Os links levam ao catálogo público de cada instituição; busque pelo nome científico Clivia miniata.

Última revisão desta página em 11 de setembro de 2026.