Plantas de folhagem

Maranta-tricolor

Maranta leuconeura E.Morren

Também chamada de Maranta, Planta-da-oração, Pé-de-galinha.

Folhagem de nervuras vermelhas que se recolhe ao anoitecer — a mais expressiva do acervo, e sensível a ar seco.

Luz média Frequente Pequeno Sem toxicidade relatada

Ilustração botânica de uma maranta-tricolor em vaso de terracota, com folhas ovais aveludadas de nervuras vermelhas sobre verde-escuro.
  • FamíliaMarantaceae
  • OrigemNativa do Brasil, em floresta tropical úmida de sub-bosque, onde cresce rente ao solo sob a sombra densa do dossel.
  • PorteDe 20 a 30 centímetros de altura, espalhando-se lateralmente até 40 centímetros. Folhas de 10 a 15 centímetros.
  • CrescimentoModerado na estação quente e úmida, com folhas novas enroladas emergindo do centro da touceira.
  • DificuldadeExigente
  • AmbientesBanheiro, Sala de estar, Quarto

Descrição

A maranta é conhecida por um comportamento que pouca gente associa a plantas: ao anoitecer, as folhas se erguem e se fecham como mãos em prece, e voltam a se abrir de manhã. O movimento se chama nictinastia e é produzido por células especializadas na base do pecíolo, que alteram seu volume de água em resposta ao ciclo de luz. É a origem do nome popular planta-da-oração.

As folhas são ovais, aveludadas, com um desenho de nervuras que na cultivar ‘Erythroneura’ é vermelho-vivo sobre verde-escuro, e na ‘Kerchoveana’ forma manchas escuras pareadas ao longo da nervura central. Tratam-se de padrões que nenhuma folhagem de nervura lisa consegue substituir.

A espécie é nativa de floresta úmida e, ainda assim, é uma das mais difíceis de manter em apartamento — porque o que ela pede não é calor, é umidade do ar. Vem do chão de mata, onde a umidade relativa raramente cai. Em ambiente com ar-condicionado, as bordas secam em semanas.

Porte
De 20 a 30 centímetros de altura, espalhando-se lateralmente até 40 centímetros. Folhas de 10 a 15 centímetros.
Ritmo de crescimento
Moderado na estação quente e úmida, com folhas novas enroladas emergindo do centro da touceira.

Iluminação

Luz indireta média

Luz indireta média, filtrada — é planta de chão de floresta e não suporta sol direto, que descolora e queima a lâmina em poucos dias. Tolera luz relativamente baixa mantendo a folhagem, mas o desenho das nervuras fica menos contrastado. Uma janela voltada para o sul ou uma posição a alguns metros de janela clara atendem bem.

Como avaliar a luz do seu ambiente →

Rega

Rega frequente

Mantenha o substrato levemente úmido de forma contínua, regando quando a superfície começar a secar, sem deixar o vaso encharcado nem a água parada no prato. A maranta é sensível ao cloro e ao flúor da água tratada: se aparecerem pontas marrons persistentes mesmo com umidade adequada, teste água filtrada ou deixada em repouso. A necessidade aumenta muito em ambientes quentes, secos e ventilados, e cai no inverno.

Não existe intervalo fixo

A necessidade de água muda com a temperatura, a umidade do ar, a ventilação, o material e o tamanho do vaso, a composição do substrato e a estação. A mesma planta pode pedir água a cada poucos dias no verão e passar semanas sem precisar no inverno. Verifique o substrato antes de cada rega, em vez de seguir um calendário. Ver o guia de rega →

Umidade e temperatura

Umidade do ar
Exige umidade relativa alta, de preferência acima de 60%. É o fator determinante do sucesso com esta espécie. Agrupe plantas, use bandeja com pedras e água abaixo do nível do vaso, ou escolhe um banheiro com janela. Borrifar a folha aveludada em excesso favorece manchas fúngicas, portanto atue no ar do ambiente, não na folha.
Temperatura
Faixa de 18 °C a 28 °C. Abaixo de 15 °C sofre dano visível. Não tolera correntes de ar frio nem proximidade de ar-condicionado.

Substrato e adubação

Substrato
Substrato leve, rico e com boa retenção sem compactar: fibra de coco, substrato para folhagens e perlita. Raízes superficiais pedem vaso mais largo do que profundo.
Adubação
Fertilizante equilibrado bem diluído, a um quarto ou à metade da dose, a cada quatro semanas na estação de crescimento. Espécie sensível a excesso de sais, que se manifesta como queima de bordas.

Como montar substratos por tipo de planta →

Poda, replantio e propagação

Poda
Remova folhas secas ou muito danificadas cortando o pecíolo na base. Hastes que se alongarem demais podem ser encurtadas para manter a touceira compacta. A planta rebrota do rizoma com facilidade.
Replantio
Anual ou a cada dois anos, na primavera. Prefira vaso largo e raso, compatível com o crescimento rizomatoso e superficial.
Propagação
Por divisão da touceira no replantio, separando porções de rizoma com raízes e folhas — método mais confiável. Também enraíza por estaquia de haste com um nó, em substrato úmido e ambiente abafado, com umidade alta.

Floração

Ocasional em interiores, com pequenas flores brancas ou lilás-claras, discretas, em hastes finas. Sem valor ornamental relevante e sem efeito sobre o vigor da folhagem.

Problemas comuns

  • Bordas e pontas marrons e secas

    O problema mais comum da espécie, quase sempre por ar seco. Também pode decorrer de acúmulo de sais ou de sensibilidade a componentes da água. Aumente a umidade do ambiente antes de mudar qualquer outra coisa.

  • Folhas permanentemente fechadas durante o dia

    Sinal de estresse hídrico — substrato seco demais ou, com menos frequência, encharcado ao ponto de comprometer a raiz. Verifique a umidade do substrato com o dedo.

  • Folhas desbotadas e sem contraste

    Luz excessiva ou sol direto. Afaste da incidência direta e ofereça luz filtrada.

  • Teias finas no verso e pontilhado amarelo

    Ácaro-rajado, favorecido pelo mesmo ar seco que prejudica a planta. Lave o verso das folhas e corrija a umidade do ambiente.

Toxicidade

Sem toxicidade relatada em fonte As obras consultadas avaliaram a espécie e não registraram toxicidade. Ainda assim, folha e substrato não são alimento, e ingestão em volume pode causar desconforto digestivo.

Para pessoas

As obras consultadas não registram toxicidade para pessoas nesta espécie. Isso não a torna comestível: substrato e folhas não são alimento, e a ingestão em volume pode provocar desconforto digestivo.

Para animais

A ASPCA avaliou a espécie, sob o nome popular prayer plant, e a classifica como não tóxica para cães e gatos. É uma das poucas folhagens do acervo com registro institucional favorável explícito, e não apenas ausência de dados — distinção que consideramos importante. Mesmo assim, mordidas repetidas danificam a planta e podem causar vômito por irritação mecânica.

Avaliação baseada em: ASPCA — American Society for the Prevention of Cruelty to Animals; Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ).

Em caso de suspeita de ingestão

Procure imediatamente um veterinário, no caso de animais, ou um serviço médico, no caso de pessoas. No Brasil, o Disque-Intoxicação do Ministério da Saúde atende pelo 0800 722 6001. Leve uma amostra da planta e informe o nome científico. Guia de segurança →

Cuidados importantes

  • Resolva a umidade do ar antes de qualquer outro ajuste. Sem isso, nenhuma correção de rega ou adubo salva a folhagem.
  • Mantenha longe de saídas de ar-condicionado e de ventiladores.
  • Evite borrifar diretamente a folha aveludada com frequência: a água parada na superfície favorece manchas.
  • Use vaso largo e raso. As raízes são superficiais e não ocupam vasos profundos.

Fontes

Obras consultadas na redação e na revisão desta ficha. Os links levam ao catálogo público de cada instituição; busque pelo nome científico Maranta leuconeura.

  • Toxic and Non-Toxic Plants List ASPCA — American Society for the Prevention of Cruelty to Animals · Base de dados de toxicidade veterinária
  • Flora e Funga do Brasil Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) · Base taxonômica nacional
  • Plantas Ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras Instituto Plantarum de Estudos da Flora · Harri Lorenzi; Hermes Moreira de Souza · Livro de referência
  • Plant Finder Missouri Botanical Garden (Estados Unidos) · Base de dados de jardim botânico
  • Plants of the World Online Royal Botanic Gardens, Kew (Reino Unido) · Base taxonômica

Última revisão desta página em 11 de setembro de 2026.