Plantas de folhagem

Espada-de-são-jorge

Dracaena trifasciata (Prain) Mabb.

Também chamada de Sansevieria, Língua-de-sogra, Rabo-de-lagarto.

Folhas eretas e rígidas que armazenam água, dispensam atenção e suportam desde luz baixa até sol filtrado.

Pouca luz Espaçada Médio Tóxica

Ilustração botânica de uma espada-de-são-jorge em vaso de terracota, com folhas eretas e rígidas de bordas claras.
  • FamíliaAsparagaceae
  • OrigemNativa da África tropical ocidental, da Nigéria à República Democrática do Congo. Estudos moleculares transferiram o gênero Sansevieria para Dracaena, e por isso o nome aceito hoje é Dracaena trifasciata, embora Sansevieria trifasciata continue amplamente usado no comércio.
  • PorteDe 20 centímetros, nas cultivares em rosácea, até 1,2 metro nas folhas eretas clássicas. A touceira se alarga lentamente pelos rizomas.
  • CrescimentoLento. Duas a quatro folhas novas por ano em condições médias de interior.
  • DificuldadeFácil
  • AmbientesSala de estar, Quarto, Escritório e home office, Corredor e hall, Varanda coberta, Banheiro

Descrição

As folhas da espada-de-são-jorge nascem diretamente de um rizoma subterrâneo, crescem verticais e rígidas, e são recobertas por uma cutícula grossa que reduz drasticamente a perda de água. Botanicamente é uma suculenta de folha, ainda que raramente seja vendida como tal.

A espécie realiza metabolismo ácido crassuláceo, abrindo os estômatos à noite para captar gás carbônico com menor perda de vapor de água. É a mesma estratégia dos cactos, e explica por que a planta atravessa semanas sem rega sem apresentar qualquer sinal de estresse.

No Brasil, a espada carrega forte carga simbólica ligada a tradições religiosas de matriz africana, o que a tornou presente em quintais, portarias e entradas de casa muito antes de virar item de decoração. Existem seleções de borda amarela, como a ‘Laurentii’, de folha curta em rosácea, como a ‘Hahnii’, e de folha cilíndrica, hoje tratada como espécie distinta.

Porte
De 20 centímetros, nas cultivares em rosácea, até 1,2 metro nas folhas eretas clássicas. A touceira se alarga lentamente pelos rizomas.
Ritmo de crescimento
Lento. Duas a quatro folhas novas por ano em condições médias de interior.

Iluminação

Tolera pouca luz

Amplitude de tolerância excepcional: mantém-se em ambientes bem sombreados e prospera em luz indireta intensa, aceitando inclusive algumas horas de sol direto suave da manhã. Em luz muito baixa, as folhas novas saem mais estreitas e a borda amarela das cultivares variegadas perde definição.

Como avaliar a luz do seu ambiente →

Rega

Rega espaçada

Regue somente quando o substrato estiver seco em toda a profundidade do vaso, e molhe de forma abrangente, evitando molhar o centro da rosácea, onde a água empoçada apodrece. No inverno das regiões Sul e Sudeste, com temperatura baixa e crescimento parado, o intervalo se estende muito — muitos exemplares saudáveis passam o inverno com duas ou três regas apenas. Vaso de barro, substrato arenoso e ambiente ventilado encurtam o intervalo.

Não existe intervalo fixo

A necessidade de água muda com a temperatura, a umidade do ar, a ventilação, o material e o tamanho do vaso, a composição do substrato e a estação. A mesma planta pode pedir água a cada poucos dias no verão e passar semanas sem precisar no inverno. Verifique o substrato antes de cada rega, em vez de seguir um calendário. Ver o guia de rega →

Umidade e temperatura

Umidade do ar
Indiferente à umidade do ar. Vegeta bem em ambiente seco de escritório e igualmente bem no litoral úmido.
Temperatura
Confortável entre 18 °C e 32 °C. Abaixo de 10 °C aparecem manchas encharcadas nas folhas. Não tolera geada.

Substrato e adubação

Substrato
Mistura para cactos e suculentas, ou substrato comum com metade de areia grossa e perlita. Evite substrato turfoso puro, que retém água por tempo demais para a arquitetura de raiz desta espécie.
Adubação
Mínima. Adubo de liberação lenta uma vez por ano no início da primavera, ou fertilizante diluído duas ou três vezes ao longo da estação quente. Excesso de nitrogênio produz folhas moles que tombam.

Como montar substratos por tipo de planta →

Poda, replantio e propagação

Poda
Não se poda a folha pela metade: o corte permanece visível para sempre, porque a folha não regenera a ponta. Remova folhas danificadas cortando rente ao rizoma. Rebentos laterais podem ser retirados para controlar o tamanho da touceira.
Replantio
A cada três a cinco anos. É comum e até desejável que a planta fique apertada; rizomas vigorosos chegam a rachar vasos plásticos, o que indica o momento de trocar. Prefira vaso largo e baixo, de material pesado, porque folhas altas desequilibram o conjunto.
Propagação
Por divisão de rizoma, separando um rebento com raízes — único método que preserva a variegação de borda amarela. Também enraíza por estaca de folha cortada em segmentos e plantada com a orientação original, mas as plantas resultantes costumam reverter para o verde uniforme, perdendo a borda colorida.

Floração

Ocasional e imprevisível em interiores, mais provável em plantas maduras e apertadas no vaso. Produz haste com flores pequenas, esbranquiçadas e perfumadas à noite, que liberam néctar pegajoso. Não é indicador de saúde nem de problema.

Problemas comuns

  • Base das folhas mole e escura, com odor

    Apodrecimento do rizoma por rega excessiva ou drenagem ruim. Retire do vaso, corte todo o tecido mole, deixe secar e replante em substrato seco e mineral.

  • Folhas tombando para os lados

    Excesso de água, excesso de nitrogênio ou luz insuficiente, que enfraquecem o tecido de sustentação. Ajuste rega e posição; folhas já tombadas não se reerguem.

  • Folhas enrugadas e com dobras longitudinais

    Falta prolongada de água, situação incomum mas possível depois de meses sem rega. Retome a rega gradualmente.

  • Manchas marrons secas no meio da folha

    Queimadura por sol direto forte em planta aclimatada à sombra. A transição para mais luz deve ser feita ao longo de semanas.

Toxicidade

Toxicidade relatada em fonte Há registro de toxicidade em pelo menos uma das obras de referência que consultamos, para pessoas, para animais ou para ambos.

Para pessoas

Contém saponinas, compostos de sabor amargo que irritam o trato digestivo. A ingestão de folhas pode causar náusea, vômito e diarreia; o contato com a seiva provoca irritação leve em pele sensível. O risco é maior em crianças pequenas, atraídas pelas folhas eretas e ao alcance da mão.

Para animais

A ASPCA registra a espécie, sob o nome Sansevieria trifasciata, como tóxica para cães e gatos, atribuindo o efeito às saponinas, com náusea, vômito e diarreia como sinais descritos. É uma intoxicação em geral de gravidade leve a moderada, mas que merece contato com o veterinário.

Avaliação baseada em: ASPCA — American Society for the Prevention of Cruelty to Animals; Royal Horticultural Society (Reino Unido).

Em caso de suspeita de ingestão

Procure imediatamente um veterinário, no caso de animais, ou um serviço médico, no caso de pessoas. No Brasil, o Disque-Intoxicação do Ministério da Saúde atende pelo 0800 722 6001. Leve uma amostra da planta e informe o nome científico. Guia de segurança →

Cuidados importantes

  • Nunca deixe água acumulada no centro das rosáceas das cultivares baixas: é o ponto de entrada do apodrecimento.
  • Prefira vaso pesado e largo. Exemplares altos em vaso estreito tombam com facilidade e podem ferir alguém ao cair.
  • Não corte a ponta de uma folha para "ajustar" a altura. O corte não se recompõe e a folha fica permanentemente marcada.
  • Aumente a exposição ao sol de forma gradual, ao longo de várias semanas, para evitar queimaduras.

Fontes

Obras consultadas na redação e na revisão desta ficha. Os links levam ao catálogo público de cada instituição; busque pelo nome científico Dracaena trifasciata.

  • Toxic and Non-Toxic Plants List ASPCA — American Society for the Prevention of Cruelty to Animals · Base de dados de toxicidade veterinária
  • Plantas Ornamentais no Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras Instituto Plantarum de Estudos da Flora · Harri Lorenzi; Hermes Moreira de Souza · Livro de referência
  • Plant Finder Missouri Botanical Garden (Estados Unidos) · Base de dados de jardim botânico
  • Plants of the World Online Royal Botanic Gardens, Kew (Reino Unido) · Base taxonômica
  • Potentially harmful garden plants Royal Horticultural Society (Reino Unido) · Orientação de segurança

Última revisão desta página em 11 de setembro de 2026.